Mundo Cariri

28/05 :: Cantigar



Viajando pelas cantigas populares que enchem de poesia a história do povo, o grupo cantigar se embrenha nesse universo uníssono de encanto e música para cantariar a simplicidade da vida.

Oriundos da diversidade artística, seis andarilhos misturam seus saberes do erudito ao popular numa melodia suave e singela.

Mulheres a vibrar o canto que emana da alma com vezes que expressam a beleza de ser diferente. Homens a instrumentalizar sons num ritmo pulsante que jorra do brio de ser do povo.

O brandir da percussão perpassa os sentidos e se encaixa aos ternos acordes do violão do cavaquinho e da viola, tecendo os sons que conduzem os versos de uma poesia singular.

Mesclando vozes e ritmos, o entoar da musicalidade popular ganha mais brilho e singeleza, dando continuidade as tradições que seguem seu eterno cantigar.

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A HISTÓRIA DA CIRURGIA

DIA 13 DE MAIO DE 2010, às18:30, no auditório da Faculdade de Medicina de Juazeiro

EXPOSIÇÃO INAUGURAL DO PROJETO: FÓRUM MÉDICOAlinhar ao centro
APRESENTAÇÃO DO DOCUMENTÁRIO “SANGUE E VÍSCERAS – A HISTÓRIA
DA CIRURGIA”, DA BBC.

Participação: Dr. Cicero Job (Neurocirurgião)

INSCRIÇÃO UMA HORA ANTES – VAGAS LIMITADAS! VALOR: 1 KG ALIMENTO NÃO-PERECÍVEL

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Inscrições :: Festival de Teatro de Guaramiranga




A Associação dos Amigos da Arte de Guaramiranga (AGUA), objetivando abranger e valorizar a diversidade da produção teatral do Ceará, por meio da programação artística do XVII Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, torna pública a abertura das inscrições para a Programação Paralela do XVII FNT.
Arquivos para download:

Regulamento
Ficha de Inscrição

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Painéis Funarte de Regência Coral




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07/05 :: Zé de Manu


Música – FORRÓ DE VERA

19h30 Zé de Manu: O Autêntico Forró Pé-de-Serra de Zé de Manu. (Fortaleza – CE)
Engajado com o mundo da música desde os seis anos de idade, conta com sua experiência para gerar uma atmosfera de regionalismo e cultura nordestina. A sanfona que ganhou de Luiz Gonzaga é o instrumento preferido usado em seus shows. 60min. 



Centro Cultural Banco do Nordeste - Cariri
Rua São Pedro, 337, Centro, CEP 63010-010 - Juazeiro do Norte - Ceará
Fone: 88 3512-2855 - Fax: 88 3511-4582.
 

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06/05 :: Fatinha Gomes

 



Música - CULTURA MUSICAL

19h30 Fatinha Gomes: As Mulheres que Comiam Flores. (Crato – CE) - Neste show, a cantora Fatinha Gomes faz um pré-lançamento do repertório que constará no seu primeiro Cd, trazendo assim a poesia e o lirismo da música Cariri. 60min.



Centro Cultural Banco do Nordeste - Cariri
Rua São Pedro, 337, Centro, CEP 63010-010 - Juazeiro do Norte - Ceará
Fone: 88 3512-2855 - Fax: 88 3511-4582.
 
 

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Concurso Dragão do Mar :: Inscrições prorrogadas até 14/05


Os interessados em participar do “Concurso Dragão do Mar”, nas categorias Redação, Teatro e Fotografia têm agora até o dia 14 de maio para se inscrever


Os interessados em participar do “Concurso Dragão do Mar”, nas categorias Redação, Teatro e Fotografia têm agora até o dia 14 de maio para se inscrever, ganhando uma nova chance de mostrar o seu talento. O concurso foi criado com o intuito de destacar o vínculo entre o cidadão cearense Dragão do Mar, pioneiro na luta pela abolição da escravatura no Brasil, e o nome do Centro de Arte e Cultura. As redações e os roteiros devem estar focados neste vínculo, enquanto que as fotos devem mostrar a melhor maneira de enxergar o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.


Com a prorrogação das inscrições, os resultados serão divulgados no dia 21 de maio e a solenidade de premiação acontece no dia 31, já com a inauguração da exposição com as vinte fotografias vencedoras.


Na categoria Redação, podem se inscrever estudantes regularmente matriculados no Ensino Médio da rede pública municipal e estadual do Ceará, com textos entre 25 e 40 linhas, escritos eletronicamente ou a mão. Os autores dos três melhores textos e as escolas onde estudam vão receber, cada um, um computador. Os vencedores também receberão um certificado de participação.


Na categoria Fotografia, o fotógrafo amador deve enviar uma foto inédita em formato digital, com no mínimo 04 megapixels, mostrando a melhor maneira de olhar o Centro Dragão do Mar ao Centro de Arte e Cultura. Os vinte melhores trabalhos serão contemplados com uma exposição fotográfica num dos espaços do Centro de Arte e Cultura e receberão o certificado de participação.
Já na categoria Teatro, os competidores deverão enviar um roteiro curto, com no máximo dez laudas, em fonte Times New Roman 12, falando sobre a trajetória de Chico da Matilde. Os três melhores roteiros receberão ajuda de custo no valor de R$ 4 mil para a montagem e três apresentações de cada esquete num dos espaços do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, até o dia 30 de novembro deste ano, assim como certificado de participação.


Abolicionista Dragão do Mar
Nascido em Canoa Quebrada, no município de Aracati, Francisco José do Nascimento (1839-1914) era conhecido como Chico da Matilde e é reconhecido nacionalmente como Dragão do Mar. O reconhecimento veio da tenaz luta do líder dos jangadeiros pelo fim do tráfico de escravos, que culminou com a província do Ceará sendo a primeira a abolir a escravidão no Brasil, em 1884, quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea.



O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura dispõe de uma infra-estrutura com 30 mil metros quadrados, cujas principais atrações são o Memorial da Cultura Cearense, o Museu de Arte Contemporânea, o Teatro Dragão do Mar, as salas de cinema do Espaço Unibanco Dragão do Mar, o anfiteatro Sérgio Mota, um Auditório e o Planetário.





Serviço:
Inscrições: até o dia 14 de maio de 2010Entrega da Redação e Roteiro: na Diretoria de Ação Cultural do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (DIRAC) - Rua Dragão do Mar, 81 – Praia de Iracema Envio das fotografias: pelo email concurso@dragaodomar.org.br
Mais informações: www.dragaodomar.org.br ou pelo telefone 3488.8608

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Guia Brasileiro de Produção Cultural



O Guia é um livro pioneiro, uma das primeiras publicações do Brasil a auxiliar o profissional de cultura a realizar suas atividades com profissionalismo, ética e qualidade. O livro de Edson Natale e Cristiane Olivieri é obra de referência, leitura obrigatória para artistas e produtores culturais do Brasil.

Somos sujeitos culturais e podemos produzir cultura e preservá-la é com essa proposta que Cris Olivieri e Edson Natale organizaram, renovaram e ampliaram o Guia Brasileiro de Produção Cultural 2010-2011. Educar para a Cultura: ao completar dezesseis anos de existência e seis edições, o Guia consolida-se como instrumento de educação e profissionalização da atividade cultural brasileira.

Com 374 páginas, o Guia foi planejado para atender aos profissionais da cultura, estudantes e gestores das áreas de comunicação e marketing, entre outros. Esta edição de 2010 traz informações fundamentais sobre planejamento, economia criativa, questões jurídicas, direitos do autor, instituições culturais, questões financeiras, projetos e financiamento à cultura, comunicação, produção gráfica, produção, e um Apêndice Educar para a Cultura.
Cada capítulo, além das informações de consultores especializados, traz o “Curta Linguagem”, com entrevistas de personalidades do meio; e “Idéias Soltas”, com artigos de destacados profissionais dos diversos campos do conhecimento, além de reunir os mais diferentes temas ligados à produção cultural.

Para Cristiane Olivieri, uma das organizadoras do Guia, “a obra é uma referencia imprescindível para a produção cultural brasileira e chega nessa sétima edição amadurecido e com a proposta de ajudar as pessoas e instituições na produção cultural brasileira, voltado para educadores, artistas, produtores, estudantes e gestores da área cultural.”

A publicação é editada pelo SESC São Paulo, e conta com o apoio da Agência África e da Prefeitura de São Paulo, através da Lei Mendonça. Estará a venda nos SESCs, e na Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br). Informações adicionais: Editora SESC ou lenora@olivieriassociados.com.br, ou por meio do telefone (11) 3062.5844.

Temas fundamentais para a produção cultural brasileira

Idealizado pelo músico e produtor cultural Edson Natale e pela advogada Cristiane Olivieri, especializada em consultoria jurídica para área cultural e de entretenimento, o Guia Brasileiro de Produção Cultural – 2010-2011, em sua sétima edição. É fonte de pesquisa essencial para desvendar e superar os desafios enfrentados no dia-a-dia da produção cultural brasileira.

Para Natale, a atualização e o aprofundamento dos temas do guia “são fundamentais para o leitor que procura respostas para perguntas simples ou complexas e não encontra material com a profundidade e o detalhamento necessários”.

Para Cristiane Olivieri, “o Guia é um manual de sobrevivência na produção cultural. Ele traz orientações fundamentais e especializadas em uma linguagem de fácil entendimento. Trabalhar preventivamente é o primeiro passo para o sucesso de um projeto”.

No guia, o leitor encontrará esclarecimentos importantes sobre detalhes de planejamento, economia criativa, questões jurídicas, direitos do autor, instituições culturais, questões financeiras, projetos e financiamento à cultura, comunicação, produção gráfica, produção.

A seção técnica do livro foi desenvolvida com a consultoria de profissionais atuantes em cada uma das áreas da produção cultural. São eles:

Carmine Orival Francisco
Carolina Bellini Garcia
Chistine Liu
Dedé Ribeiro
Elaine Luna Oksman
Eliana Signorelli
Fernando Equi Morata
Luciana Arruda
Luciana Rangel
Lucimara Letelier
Magda Pucci
Manoel Carlos Junior
Marcelo Monzani
Martha Macruz de Sá
Mauricio Magalhães
Paula Marques
Pedro Mendes da Rocha
Ricardo Chamon
Roberto Tranjan
Rose Vermelho
Rossana Decelso
Willian Galdino


Entrevistas, artigos de especialistas e endereços do meio cultural

Na seção Curta Linguagem, entrevistas com:


Alexandre Ferrari
Ana Helena Curti
Ana Teasca
Carlos Barmak
Claudio Lins de Vasconcelos;
Cory Doctorow
Daniel Zen
Escola Lumiar
Felipe Altenfelder Filho
Fernanda Ramone
Fernando Yazbek
Flavio Paiva
Janet Bailey
José Monserrat Filho
Jun Nakao
Luciana Bueno
Monique Gardenberg
Paul Makeham
Ricardo Guimarães
Tuna Serzedello
Yael Steiner


Na seção Ideias Soltas, traz artigos sobre questões importantes como:


Belisario Franca
Claudio Lins de Vasconcelos
Cory Doctorow
Flavio Paiva
Fernando Yasbek
Leandro Valiati
Marcelo Coutinho
Mauricio Magalhães
Pena Schmidt
Stefano Florissi & Affonso Reis


Sobre os Organizadores:
Cristiane Olivieri – Advogada, especializada em Gestão de Processos Comunicacionais e Culturais pela ECA-USP. Mestre em política cultural pela ECA-USP. Master em Administração das Artes na Universidade de Boston (USA). Diretora da Olivieri e Associados Advocacia, atuando na área de consultoria para cultura, comunicação e entretenimento há 20 anos. Autora, além do Guia de Produção Cultural, do livro Cultura Neoliberal – Leis de incentivo como política pública de cultura. (cris@olivieriassociados.com.br)
Edson Natale é músico, escritor, jornalista e gerente de música do Itaú Cultural desde março de 2001. Gravou 06 CDs solo, a saber: Nina Maika (1990), Sol de Inverno (1992), Aboio (1993), Quando eu soube que você viria (1995), Lavoro (coletânea / 1999) e Calvo, com sobrepeso (2007). Integra o Grupo Dharana com o qual gravou dois discos: Dharana (1988) e Guerreiros do Arco-Íris (1989). Escreveu os livros A história do incrível Peixe Orelha (2003) que contou com apoio da ONU – Organização das nações Unidas e O pequeno calendário para os que sabem ler o tempo (2009), ambos com ilustrações de Carlos Barmak.

Produziu os dois primeiros CDs de Renato Braz e também os CDs Circo (Parlapatões), Nosso coração caipira (Chico Lobo & Jackson Antunes), Auto de Paixão (Cia. de Circo Branco) e Violão (Nico Ferreira).
Gerenciou o lançamento de CDs de artistas como Jards Macalé, Itamar Assumpção, Ceumar, Dori Caymmi, Renato Braz, Quinteto Violado, Mônica Salmaso & Paulo Bellinati, Renato Borguetti, Maurício Pereira, Paulinho Nogueira, Ivo Perelman, Titane, Gilberto Monteiro e Raízes Caboclas, entre outros.


ONDE ENCONTRAR:
A publicação é editada pelo SESC São Paulo, e conta com o apoio da Agência África e da Prefeitura de São Paulo, através da Lei Mendonça. Estará a venda nos SESCs, na Livraria Cultura e na Livraria da Vila. Informações adicionais: Editora SESC ou lenora@olivieriassociados.com.br, ou por meio do telefone (11) 3062.5844. O valor da obra R$ 49,00.

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Cinema 1 Minutinho


É um projeto que busca estimular a interatividade do jovem com o mundo da tecnologia. Aprendendo que podem se expressar com criatividade e opinar através do uso de celulares e de câmeras digitais produzindo micro vídeos. Tem como objetivo levar o jovem a despertar a curiosidade de registrar acontecimentos da sua comunidade, do seu dia-a-dia.No Primeiro Módulo o professor George promoveu uma dinâmica, a qual nos incentivou a refletir sobre os significados do trabalho que realizaremos, também comentou sobre o curso e seus objetivos.

Para colocarmos em prática as técnicas de redação que aperfeiçoamos, com todo entusiasmo chegou o professor Michel que nos mostrou a internet e o universo da blogsfera. Aprendemos como criá-los, formandos grupos e distribuindo temas para criarmos e alimentarmos o Blog da Oficina Cinema 1 Minutinho. (por Arthur, Ana, Danubia, Francisca, G´Ilma)
 

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40º Festival Nacional da Canção


Até o dia 11 de junho estão abertas as inscrições para o Festival Nacional da Canção, maior festival de música do Brasil, que tem como objetivo principal valorizar a cultura nacional no interior do Estado de Minas Gerais.
Os interessados podem se inscrever pelo correio ou pela internet para concorrer ao troféu Lamartine Babo e R$186 mil em prêmios. Os compositores podem inscrever quantas músicas desejarem, desde que inéditas e originais (pagando taxa de R$10,00 por música). O festival não impõe restrições a gêneros musicais e obrigatoriamente as letras devem ser em português.
Nesta edição, para comemorar os 40 anos do evento, a organização do festival preparou uma programação especial. Para isso, o projeto 2010 foi incluso em uma vertente cultural muito mais ampla, que promove, também, o cinema, teatro, dança, poesia, artes plásticas, música nas ruas e oficinas culturais.
O 40° Fenac está programado para acontecer em seis cidades mineiras: 30 e 31 de julho em Extrema, 6 e 7 de agosto em Formiga, 13 e 14 de agosto em Pouso Alegre, 20 e 21 de agosto em Varginha, 27 e 28 de agosto em Três Pontas e nos dias 4, 5 e 6 de setembro em Boa Esperança.
Dividido em cinco eliminatórias, seis músicas semifinalistas serão selecionadas em cada cidade. Em Boa Esperança acontecerão as duas semifinais nos dias 4 e 5 de setembro e a apresentação das 10 finalistas, no dia 6 de setembro. No ano passado, 2500 compositores de 24 estados brasileiros participaram do festival. Mais informações e inscrições pelo site http://www.festivalnacionaldacancao.com.br/

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Compacto Som na Rural :: 07/08/09


Dr. Raíz / Orquestra Conteporânea de Olinda /  Monbojó

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3ª Edição do Prêmio Cultura VIva


Estão abertas as inscrições para a 3ª edição do Prêmio Cultura Viva!
O prazo de inscrição se encerra às 18 horas do dia 31 de maio de 2010 (horário de Brasília).


O regulamento pode ser acessado
aqui.

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Rosemberg Cariry como observador na II Conferência Nacional de Cultura



II CONFERÊNCIA DE CULTURA – ANOTAÇÕES DE UM “OBSERVADOR”

Exmo. Sr. Ministro da Cultura, Juca Ferreira,

Agradeço o convite que me foi feito, na qualidade de “observador”, para participar do II Conferência Nacional de Cultura, ocorrida de 11 a 14 de março de 2010, nas instalações high tech do Centro de Convenções Brasil 21, em Brasília. Cumpro aqui minha função e dou conta de tudo quanto observei, fazendo uso dos cinco sentidos, da razão cartesiana, de um punhado de intuição e de muita boa vontade.

Não vou contar aqui dos atropelos iniciais, dos funcionários do Brasil 21, seguranças bem nutridos e bem jeitosas moças, todas vestidas de preto, como se tratasse de uma funerária. Tratava-se de uma festa mais alegre e cheia de diversidade, conforme nos coube observar.

O que mais me chamou a atenção foram as cores, os suores, as texturas e os matizes de peles, a “muvuca” dos sons e os sabores escondidos em farnéis e bolsas. Vi um Brasil que nunca vira antes, de gente que habita todos os confins, do pantanal aos pampas, das florestas amazônicas às caatingas nordestinas, dos cerrados do planalto central aos litorais atlânticos, das serras aos chapadões, das dunas do Saara-Ceará aos manguezais do Maranhão. Vi um Brasil plural e multiétnico, feito de negras de perfis helênicos, de sararás de lábios grossos e narizes chatos, de índios-índios, de índios de olhos azuis, de índios indo-europeus, de brancas de cabelos negros como a asa da graúna e lábios doces como o mel da jati, de japonesinhas com cocares multicoloridos que mais pareciam índias, de cafuzos assumindo a nova condição cigana, de “afro-descendentes” quilombolas de cabelos pintados de louro, como os “afro-americanos” do Harlem, de morenos desabusados e mulatas de traiçoeiros olhos verdes. Tudo estava em trânsito. E o que era cantador de viola virou griô, e o que era mulato virou quilombola, e o que era caboclo virou índio, e o que era índio virou branco, e o que era “afro-descendente” virou loiro, e o que era loiro vestia-se como “afro-descendente” dos afoxés da Bahia e trazia no pescoço os cordões de patuás. E Deus salve todos nós!

Como se não bastasse essa mistura capaz de acabar de vez com o juízo de Deus, percebi um fluxo de migrações inter-étnicas e interculturais de tal forma que fui logo me identificando  com as propostas de algumas nações indígenas do Amazonas e do Nordeste. Liguei-me a um grupo de Pankaruru do Pernambuco e me anunciei como descendente dos Cariri. Minha avó Perpétua foi uma cabocla Cariús, descendente da guerreira nação. Fui aceito, comprei um cocar e realizei meu sonho de infância. Desde pequeno, lá na cidadezinha de Farias Brito-Ce, quando eu via os filmes de caubóis, sonhava em ser índio… Apache, se possível. Eu queria ser Apache, como Jerônimo. Aqui peço desculpas, é que eu ainda não conhecia a saga de Raoni, de Juruna, de Anhamun, de Sapé e de Macunaíma, heróis da nossa gente. Agora que conheço, quero mesmo é ser índio brasileiro. Neste encontro com muitas tribos, terminei sendo identificado como um Urubu-Caapor, pelas cores da penas do cocar que eu acabara de comprar, o que muito me orgulhou (também). O nosso líder, aquele que falava em nome dos índios tinha um perfil de imigrante ucraniano e falava Nheengatu, com pesado sotaque alemão. Insisto, o que vale no homem são as ideias e o caráter. O homem defendeu nossas bandeiras muito bem, e nós tocamos nossas flautas. Depois, fizemos soar as nossas caixas de guerra. Somos todos contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte, na Amazônia brasileira.

Outra coisa que achei interessante, senhor Ministro, foi o movimento do griôs brasileiros. Responsáveis pela transmissão das tradições orais das tribos na África do Norte, os griôs iam de aldeia em aldeia, contando e cantando as linhagens dos reis, guerras antepassadas e visões do futuro. No Brasil, as manifestações mais próximas dos griôs africanos seriam um mistura de contadores de história com os violeiros, os cantadores ambulantes e os cegos de feira do Nordeste brasileiro. Eu ouvi falar em griô, pela primeira vez, na Europa, reinventado pelo multiculturalismo francês. Lembro-me deste conceito estrangeiro, quando, novidadeiros, lançamos o projeto “Mestres e Guardiões dos Saberes Populares”, em 1996, no Crato-Ce, e realizamos o “Festival Internacional de Repentistas e Trovadores”, em 2002, no sertão central do Ceará. Na apresentação deste evento escrevi:

“Nos sertões do Nordeste brasileiro deu-se um encontro de mundos -nações, povos e culturas se enfrentaram,  misturaram-se e geraram a cal que alicerçou o que hoje poderíamos chamar de cultura nacional. Os sertões são herdeiros das principais vertentes culturais do Ocidente, notadamente das culturas ibéricas, magrebinas, mediterrâneas, africanas, afro-brasileiras e ameríndias. Nos sertões, através dos século em que foram construídos destinos e história, surgiram os gênios das raças, as antenas do inconsciente coletivo – os primeiros trovadores, cantadores e violeiros;  herdeiros dos bardos gregos, dos regueifeiros galegos, dos trovadores portugueses, dos poetas provençais, dos aboiadores árabes, dos griôs  africanos, dos improvisadores tapuias. O universo fascinante e mágico dos cantadores e repentistas fecundou todas as artes do Brasil, e não houve um só movimento musical, do baião à tropicália, da MPB à música erudita, do rock ao hip-hop, que não tenha bebido na inesgotável fonte da cantoria,da viola sertaneja, do pandeiro e do ganzá”.

O que não sabíamos (naquela época) é que o conceito endógeno de griô, antropofagicamente digerido, se ampliaria tanto como uma espécie de guarda-chuva que tudo abriga: de recitadores de versos de feira a pai de santo, de mestre de cacumbi a tocadores de zambê, de condutores de mirações da Ayuasca a filha de santo dos terreiros de negros de Minas.  Testemunhei um “botador de bonecos” do interior do Ceará com sua nova carteirinha de griô, orgulhoso que tava danado de sua condição e pertencimento a um grupo identitário.  Em todo o evento, ninguém cantou mais canções do que os griôs, ninguém protestou mais do que os griôs, ninguém articulou mais do que os griôs, com suas reivindicações de leis específicas e possível adaptação da Constituição brasileira aos ideais griôs. Ave! Digo, Axé! Roupas de griôs, diretamente importadas do Quênia e do Mali, custavam cinquenta reais, mas tínhamos também as de trinta e vinte e cinco reais para os griôs mais pobres. Pensei em comprar uma de 15 reais, mais fraquinha, menos colorida, mas de maior possibilidade para as minhas poupanças de poeta cordelista e cineasta figural. Terminei comprando (fiquei liso) para presentear o meu amigo Oswald Barroso, teatrólogo, poeta, pesquisador da cultura popular e, de agora em diante, verdadeiro griô. Para ele, comprei também um turbante afro-muçulmano-brasileiro, baratinho, apenas oito reais. Cor de ouro, ficará bem com os seus cabelos brancos. Espero que ele faça, a partir de agora, em suas aulas espetáculos (ao modo de Ariano Suassuna), explicações tão convincentes como a que ouvi de um legítimo griô baiano, afro-descendente quase 100% puro, que explicou toda a linhagem dos griôs baianos desde o século XVI até a primeira década do século XXI, onde se encontra com a pós-modernidade e se reinventa nos blocos e nos trios elétricos da Bahia, com a bênção de Gilberto Gil. Fiquei convencido e comovido, gosto do visual dos griôs, embora goste também do visual afro-tarzan da Timbalada de Carlinhos Brown.

Deixando de lado a complexidade étnica brasileira, capaz de acabar de vez com o juízo de Deus, abri os meus ouvidos e entrei em transe com a multissinfonia de sons e de ritmos. A bem da verdade,  achei que o jovem e “bronzeado” carioca, que tentava improvisar ao som de um pandeiro, não se saiu muito bem e quase nunca conseguia rimar. Um dia, ele chega lá e vira Manezinho de Araújo ou um Jackson do Pandeiro, questão de tempo e de dedicação. Deus ajuda, e meu Padim Ciço dá um empurrãozinho, já que se trata de coisas do Nordeste. Seu Zé do Pife, brasiliense de São José do Egito, tocava um baião apimentado, e seus olhos se divertiam com os corpos bem desenhados de duas loiras cariocas (bem malhadas) que sambavam e se requebravam para alegria de negros (perdão, digo: “afro-descendentes”), brancos, mulatos, morenos, amarelos, mestiços e sararás. O reinado das cariocas foi logo derrotado por sete baianas que, requebrando as cadeiras, deixaram os mesmos “afro-descendentes”, brancos, mulatos, morenos, amarelos, mestiços e sararás, cheios de desejos inconfessáveis, em uma reunião de caráter eminentemente cultural como esta. Um desassossego que me levou à conclusão de que, nesses assuntos mais profundos, o que menos importa é a cor da pele. Se um atacava de berimbau, outro arranhava uma viola. Enquanto um chorava um amor perdido no realejo, outro arriscava uma curraleira ou mesmo um bolero de Waldick Soriano. Dois ou três paulistas, estudantes da USP, ensinavam Bossa Nova a três brincantes do guerreiro alagoano. O canto triste de um índio, acompanhado pelo maracá, tocou o coração de uma alemãzinha romântica, de Santa Catarina, que, deixando de lado todos os preconceitos, resolveu “ficar” com o jovem mancebo Xavante, que insistia em soprar a tristeza da canção na sua flauta de bambu. Se tudo isto tinha, muito mais coisas nós vimos: tambor de crioula, grupo de carimbó, banda cabaçal, roda de coco, fandango gaúcho, samba de cumbuca, roda de Nau Catarineta, caretas de Potengi, ponto de macumba e linha de caboclo de catimbó, entre centenas de outros costumes, ritmos, danças e modas de viola.

A tudo vi. De tudo ouvi. Até mesmo um tango, senhor Ministro, durante a plenária. Casais de jovens brasilienses, vestidos em paletós de gangsteres portenhos e meninas fatais de vestidos longos, lascados na lateral, deram um aparente tom de tragédia ao que era festa e brincadeira. Fica bem dançar tango em Brasília, depois de tantos escândalos e republicanas tragédias. O mesmo tango serviu para que uns dançassem hip-hop, que outros atacassem de xaxado e dois ou três ensaiaram danças pouco definidas, mas que me pareceram uma mistura de rituais zulus com o rock da década de cinquenta. Já no último dia, enquanto se votavam as propostas prioritárias para comemorar vitórias, alguém entoou um aboio tão belo e profundo que é como se os oitocentos anos de dominação árabe na península ibérica se fizessem ali presentes pela voz deste vaqueiro nordestino, nomeado delegado da Associação dos Vaqueiros Nordestinos para as coisas da cultura e assuntos exteriores. A cada proposta aprovada, os gritos tribais reinventados na urbanidade tardia, as vozes profundas das almas ancestrais, entrecortadas com vaias, palmas, urras ecoavam no grande salão, e os sorrisos que se desprendiam da boca iam se arranchar nas almas, feito anjinhos barrocos.

Não pense que essas cores e essas raças, essas profusões de ritmos e esses sons não tinham cheiro. Pois tinham sim, de suores da floresta a securas dos sertões, de hálitos perfumados de morenas aos “bafos-de-onça” de quem fugira para tomar uma pinga (garrafa escondida na mochila ou mesmo para queimar um baseado, na intimidade do banheiro). Do meu lado, tinha uma cabocla do Pará, tão bela e tão perfumada com as essências da floresta, que eu fiquei para sempre com este perfume na alma e com as promessas dos seus olhos se balançando na rede na varanda dos meus olhos. Pensei logo em Iracema, a virgem dos lábios de mel e confesso, senhor Ministro, que fui politicamente incorreto e pensei um monte de safadezas. Que Deus, me perdoe, pagarei todos os pecados, não por obras, mas por imaginação. Na próxima romaria que farei para o Juazeiro do Norte, em cima de um caminhão Pau-de-arara, com promessas a serem pagas a meu Santo Padim Ciço, que tudo vê. Santo bom, porque do povo, que as fraquezas dos homens compreende e perdoa.

No almoço, tinha aquelas comidas esquisitas, feitas de venenos e isopor, com um copo de coca-cola ou de uma tinta amarela que dizia ser laranja. Isto não é motivo para pensar que o povo brasileiro não resiste. O povo resiste, sim. Sempre aparecia, como por milagre, tirado de dentro de alforjes, mochilas e malas, um pedaço de rapadura com um punhado de farinha, um guisado de carne do sol com cebola e macaxeira, um doce de casca de laranja da terra, pão de mucunã com geléia de pimenta, um tijolo de buriti, um suco de cupuaçu dentro de garrafas de plástico e a embriaguez do cauim, encantada dentro de uma cabeça, que ainda guardava o doce aroma do mel.

Ao final, foram aprovadas 32 propostas prioritárias, 132 propostas secundárias, 368 propostas essenciais e 175 propostas importantes. Houve algum ruído, logo superado, pois a festa democrática tudo redime. Explico melhor o que houve: ao ser lido o documento final, com a vossa presença, senhor Ministro, os descendentes indígenas vislumbraram o anúncio da Terra Sem Mal, os caboclos nordestinos o Reino do Juremá, o seguidores das religiões orientais o Nirvana, os católicos e os muçulmanos o Paraíso e os yahuasqueiros as Mirações do Bem-Virá. Não importa essa aparente multiplicidade de visões, tudo isto no conduz ao País de São Saruê, versão cabocla do país de Cocanha, onde no leito dos rios corre leite e cujas beiradas são de cuscuz de milho verde, salpicado com coco ralado e pedacinhos de queijo, onde o dinheiro se colhe nas árvores, menino já nasce aprendido  no ler, contar e medir, em tudo sabido demais. E o sertão vai virar mar.

Um antropólogo francês naturalizado brasileiro gritava: “vamos preservar os tesouros vivos da cultura popular como quem preserva uma relíquia em um sacrário, defendo-a das influências estrangeiras”. Com a fala daquele homem, pensei logo numa santa cruzada, numa espécie de guerra santa, no Al Qaeda e na luta contra o terrorismo que o presidente Obama, prêmio Nobel da Paz, continua alimentando, contra todas as expectativas do mundo.  Mas não, o tal antropólogo francês ou francês naturalizado não falava deste tipo de guerra contra o terrorismo, conclamava o povo a preservar sua cultura – o que todos os dias se transforma, o que, por natureza, está sempre em trânsito, o que nunca tem fim porque nunca foi concluído. Missão impossível. Lembrei de Paulo Emílio Salles Gomes, quando afirmou “Não somos nem europeus, nem americanos do norte, mas privados de cultura original, nada para nós é estrangeiro, pois tudo o é”.  Tive vontade de dizer ao “sabichão” francês: “Aqui tudo se contamina, se interpenetra e se transforma. Espelhos quebrados, somos reflexos das nossas sete mil caras e das nossas setenta mil almas”. Talvez esse antropólogo francês-brasileiro não tivesse ainda compreendido bem a ideia brasileiríssima da antropofagia, não no sentido dado pelo tardio modernismo paulista, mas no sentido mais profundo dado pelos Cariris, índios tapuias do Nordeste, que devoravam seus mortos para não mais sentirem nem tristezas nem saudades. Com os mortos comungados, como fazem os cristãos devorando a carne do seu Deus, em forma de pão, e bebendo o seu sangue, transubstanciado em vinho, os Cariris guardavam os seus parentes e entes queridos dentro dos seus corpos e das suas almas, podendo assim reatiçar o sentido da festa e da continuidade da vida, “sem tristezas e sem saudades”.

A II Conferência Nacional da Cultura, neste sentido, foi uma festa de comunhão, de ritual devorador de tradições e de culturas em trânsito, das memórias do futuro e de previsões do passado, de carnavalização do inconsciente coletivo e de desmontes da razão, de estado permanente de devir dos brincantes em busca do paraíso. Somos todos tripulantes das naus dos loucos medievais navegando em mares contemporâneos, dos cavalos dos orixás em transe, dos Zumbis imaginários que povoam a nossa negritude, do Pajé Seta Branca e suas falanges astrais baixando no grande circo do Vale do Amanhecer. Parafraseando Arquimedes, eu diria: “Dai-me um povo como o brasileiro, e eu reinvento o mundo”.

Os paulistas, associados à imagem dos bandeirantes predadores de civilizações, sofreram, de início, certa resistência por parte do Brasil profundo, ou seja, das outras regiões, que os identificaram pelos narizes empinados etc. Conversa vai e conversa vem, terminaram por se convencer de que São Paulo é a maior Capital Nordestina do Brasil e de que não existe paulista, o que existe é brasileiro que faz a vida em São Paulo e o “ser paulistano” reinventa. Foi um alívio chegarem a esta conclusão. Ouviu-se em uníssono: “Ah! Bom!…”. Os paulistas foram aceitos na comunidade brasileira e agora se orgulham de também serem nordestinos.

Enquanto isto, Chico César, de Catolé do Rocha, dava autógrafos para duas chinesas, dois acreanos, quatro bolivianos, três lituanos, sete gaúchos, quatorze armênios, quatro Xocó-Cariri e 42 coreanos, negociantes da Feira do Paraguai (a Feira dos Importados), aqui mesmo em Brasília. Zeca Baleiro fez um discurso semi-erudito e depois rodou a baiana junto com um boi de orquestra que serpenteava pelos labirintos do centro de convenções. Boi de sotaque zabumba com uma toada que fazia as dançarinas se desfazerem em movimentos sensuais. Mais bonito e sensual só o mesmo o Cacuriá de Dona Tetê, com seu ritmo quente, com seu erotismo equatorial, e dengos de coxas e seios de moças brincantes que mexem com o juízo das gentes, nestes tempos de pan e de transexualidade.

Por falar em sexualidade, senhor Ministro, outro aspecto importante, dentro da conferência, foi a organização dos homossexuais, lésbicas, simpatizantes e outras tendências contemporâneas. Unidos em blocos, belos e belas, na verdade radiantes, eles reivindicavam emendas parlamentares que assegurassem o desenvolvimento das culturas pansexuais, intersexuais, megassexuais e suprassexuais. Vi um jovem intelectual, homossexual assumido e politicamente correto, lépido e faceiro, candidato a cineasta, assíduo leitor de Foucault e de Deleuze, tentar convencer um cantador de viola de São José do Egito, tipo sertanejo, forte, moreno e de exótica beleza, a assumir o seu lado gay. Depois de ouvir o bem articulado discurso, o cantador perguntou: “o senhor está querendo que eu seja baitola, é?!”. O jovem intelectual insistiu, corrigindo aquela expressão politicamente incorreta: “Não, estou falando de cultura gay, algo muito mais complexo e profundo”. O cantador de viola se interessou pela conversa e, deixando de lado as questões de fundo semântico, antropológico e psicanalítico, perguntou: “E é bom?”. O jovem intelectual também abandonou o discurso acadêmico e, pegando a “deixa”, deu o veredito final: “É ótimo”. Não sei no que aquele colóquio resultou. Vai ver que o cantador abandonou a família, a mulher, dona Genoveva e os dez filhos (Francisco, Francinaldo, Francélia, Francir, Francimar, Fátima, Frazé, Franluz, Francorli e Francivan), e fugiu com o jovem intelectual para o Rio de janeiro, onde hoje compõe a trilha sonora minimalista de um curta-metragem, cheio de metalinguagens e influências de Wong Kar-Wa, viabilizado por um edital da Secretaria do Audiovisual do MinC. Estamos evoluindo.

Este lado, vamos dizer assim, mais sexualizado da cultura brasileira, fluiu bonito, sem preconceitos e sem barreiras raciais, ideológicas e religiosas. Vi mesmo muitos militantes do PT, do PC do B, PSOL e do PV, erguerem as bandeiras da pansexualidade tropical. Os índios ensinaram para os antigos marinheiros, exilados, padres, poetas, seresteiros que não existe pecado abaixo da linha do Equador e que a “culpa” é uma doença cristã.  Essa liberação da libido atravessa todas as artes e todas as manifestações da cultura. Arte é sexo condensado, já dizia Freud. Se não disse, deveria ter dito, mesmo que isto tivesse antecipado o seu o rompimento traumático com Gustav Jung.

Teve especial destaque, nesta pós-moderna conferência, as manifestações da moda e dos seus elegantes delegados. Um estilista conterrâneo meu, de Quixeramobim, terra de nascimento de Antonio Conselheiro, contou-me a sua original carreira profissional. Depois de ter estagiado em Paris, trabalhado em Berlim, Praga, São Petersburgo e São Paulo, voltou para Quixeramobim e abriu uma butique de roupas pós-contemporânea chamada Samarkand. Arrasou. Um sucesso entre a pequena burguesia local e as meninas que têm avós aposentados pelo FUNRURAL. Pois bem, para demonstrar a sua criatividade este talentoso estilista do sertão do Ceará improvisou uma roupa com cartazes, folders, panfletos e outros pedaços de florestas salpicados de tinta gráfica. Na boca, colocou um pedaço de papel, ao modo de uma mordaça. Estaria ele protestando contra o abandono da moda no sertão central do Ceará? É bem possível, por vias das dúvidas, fui logo fazer lobby com alguns grupos de macumbeiros, de congadeiros, de violeiros, de dançarinas da dança do ventre e de professores da USP, para que fosse aprovada como prioritária a proposta de lei “Luxo para todos”, a ser enviada ao Congresso Nacional. A ideia é bem generosa e propõe que todos os grupos de tradições, aldeamentos indígenas e comunidades quilombolas, caiçaras e ciganas, tenham os seus estilistas e que sejam contratados, com preferência, aqueles que fizeram estágio em Paris. O estilista cearense argumentava, com muita propriedade: “Se os índios de José de Alencar tinham medo de morrer sem ver Paris e se comportavam com verdadeiros cavalheiros da Belle Époque, porque é que os brincantes de folias não podem ter roupas tão bonitas e ousadas de fazer inveja a Gabrielle Coco Chanel, Hubert de Givenchy, Christian Dior, Yves Saint Laurent, Pierre Cardin, Giorgio Armani e Gianni Versace?”. Sei que toda unanimidade é burra, mas fomos unânimes e apoiamos o encaminhamento da reivindicação. Concordei com o conterrâneo cearense e também com Maiakovsky, quando diz: “Gente é para brilhar!”.  É justo que os brincantes possam brilhar, ainda mais. “Quem gosta de pobreza é intelectual”, já filosofara Joãozinho Trinta, maranhense de São Luiz – a Atenas Brasileira, que se fez guru do carnaval carioca. Aqui somos todos reis: reis do reisado de congo, reis da panelada, reis das autopeças, reis da boca do Lixo, reis do futebol, reis do caldo de cana… Basta olhar as placas dos comércios populares nas periferias dos grandes centros urbanos. Somos republicanos, mas gostamos mesmo é da monarquia que tem mais brilho, tem mais festa, aluá e atabaques.

Tudo que aqui conto, senhor Ministro, foi apenas um pouco do que observei do muito que aconteceu, cumprindo fielmente a minha nomeação como “observador de eventos”, nova, honrosa e republicana função. Agradeço a V. Sª, pelo convite, pela oportunidade desta convivência continental e cósmica com aos povos do mundo que se reinventam no Brasil (mil povos, mil culturas e mil e uma heranças de humanidades). Com vossa permissão, faço uma confissão íntima, como fez Santo Agostinho: “Emocionei-me várias vezes. Em alguns momentos, disfarcei as lágrimas. Sou mesmo sentimental. Não vou mais esconder: gosto das guarânias de Cascatinha e Inhaha, dos boleros de Evaldo Gouveia e das baladas de Roberto Carlos”.

Ser índio por dois dias e ser delegado com direito a voz no grupo das grandes nações indígenas brasileiras, onde, juntos com os morubixabas, defendi a multiculturalidade e a preservação das 184 línguas indígenas vivas ainda existentes no País foi para mim uma felicidade. Em toda minha história, do alto dos meus 57 anos, 35 deles de militância artística, talvez tenha sido esta a minha maior vitória. Estou orgulhoso que estou danado. Não me tenha como abusado, mas vou logo avisando, só aceito o convite para ser novamente “observador”, na III Conferência Nacional da Cultura, com uma condição: dessa vez, quero voltar como “afro-descendente” e, se possível, com diploma de griô. A meu favor, senhor Ministro, para dar maior credibilidade a minha reivindicação, confesso um segredo de família: minha tataravó, judia que se fez cristã nova, casada com um libanês, encantou-se com um “afro-descendente”, um talentoso e robusto cantador de coco de embolada, que passou pelos sertões dos Inhamuns, lá por meados de 1835-38. Os anais das memórias familiares não precisam bem o ano exato.

Pois bem, este “afro-descendente’ de nome Cosme Bento, ex-escravo, carregou minha tataravó e, no Maranhão, aliou-se às armas e à revolta do vaqueiro Raimundo Gomes, dando início à Revolta da Balaiada, de tão gloriosa memória, onde foi portador do honroso título de Imperador das Liberdades Bem-Te-Vis. Na mesma época, para lutar com o povo em armas, foi nomeado Comandante das Armas da Província o coronel Luiz Alves de Lima e Silva, que terminou vencendo os revoltosos, tratando-os a ferro e fogo, ganhando, por este feito, o título de nobreza de Duque de Caixas e a alcunha de “o pacificador”. O Imperador Cosme Bento, responsável pela leve morenice da minha família, foi enforcado, e minha avó ficou sozinha, em um quilombo, no interior do Maranhão, até que seu pai, o coronel Alexandre de Moura, homem de fortuna, mas muito temente a Deus, mandou buscá-la e ajudou-a a criar o bonito “mulatinho”, pois teve que cumprir promessa que a sua esposa, Dona Fideralina de Gusmão Feitosa de Moura, fizera ao italiano Frei Vital de Frescarolo, que já neste tempo andava fazendo milagres pelo sertão. Depois o “mulatinho” cresceu, fez-se um garboso mancebo e deixou vasta “afro-descendência” entre brancas, índias, negras, mulatas e caboclas da região, aumentando em muito o patrimônio da família, até que chegou a grande seca de 1888, que deixou sua vasta família na penúria, e muitos foram os que migraram para as florestas da Amazônia, onde se fizeram seringueiros, garimpeiros, comerciantes e vendedores de escravos índios e migrantes nordestinos. Alguns entraram no cangaço, outros na política, alguns foram ser padres, e alguns poucos, por falta de opção, entraram no exército e terminaram na Guerra do Paraguai, participando daquela desgraceira toda. Que Deus tenha piedade das suas almas.

Desculpe a prosa espichada, senhor Ministro, mas foi tudo para dizer que tenho, assim, esse pé na senzala, o que me dá o direito de ser griô, quilombola, mestre de congada, cantador de pagode ou presidente da Fundação Palmares. Como sou modesto, quero apenas ser “afro-descendente” e colocar em um quadro emoldurado, bem na sala de visitas, próximo do retrato do Coração de Jesus, o meu diploma de griô. Se não aceitarem a minha leve morenice, eu pinto o meu rosto, com fuligem de lamparina misturada com óleo de linhaça, como fazem os sararás, caboclos e branquelos desenxabidos que se cobrem de falso negrume para brincarem no Maracatu do Ceará. Quero fazer inveja ao mestre Sebastião Revardière, do Reisado de Congo de Missão Velha, que nunca passou de branco, um mero cara pálida, descendente da nobreza europeia, cujos antepassados na Revolução Francesa caíram em desgraça com os jacobinos, foi exilado para o Brasil e se estabeleceram como vendedores de pão de coco com refresco de Bacuri, em São Luiz do Maranhão. O mestre Sebastião Revardière só tem mesmo para ostentar e alimentar o seu orgulho de nobreza decadente o seu diploma de “tesouro cultural”, dado pela Secretaria de Cultura do Ceará.  Antigamente, ele era “mestre”, mas agora virou “tesouro vivo”. A sua mulher, Dona Isabel, uma “afro-descendente” de corpo roliço e espírito desabusado, abandonou o reisado, com medo de ser nomeada “tesoura”, o que só serviria mesmo de mangação para o povo. Quem sabe, o Américo Córdula, secretário da Diversidade Cultural e Cidadania, possa lhe oferecer o título de “grioa”. É mesmo bonito, talvez ela aceite. Da minha parte, já aceitei, estou aprendendo línguas africanas e vou fazer meu discurso de agradecimento em iorubá ou, se preferirem, em francês, que é língua que, apesar de não estar na moda, ainda guarda algum charme e é de onde vem o multicultural nome “griot”.  Au Revoir, senhor Ministro.

Assina: Rosemberg Cariry – o observador de eventos do MinC

Brasília, 15 de março de 2010


Fonte: Blog da RRNE MinC

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Festival da Meruoca, inscrições até 08 de maio

Até dia 08 de Maio, estão abertas as inscrições para o VII Festival de Inverno da Serra da Meruoca. Para compositores da Macro-Região do Vale do Acaraú, as inscrições vão até 22-04. Em junho, o evento promete agitar o município com shows, exposições, oficinas e o Festival Competitivo.
O VII FESTIVAL DE INVERNO DA SERRA DA MERUOCA (CE)  está com inscrições abertas para o festival competitivo, até o próximo dia 08 de maio. Os compositores da Macro-Região do Vale do Acaraú devem se inscrever até 22 de Abril.

Organizado pela Prefeitura Municipal de Meruoca em parceria com a Associação Cultural Solidariedade e Arte – SOLAR, o Festival acontece nos dias 03, 04 e 05 de junho no município de Meruoca, região Norte do Ceará.

A participação no Festival está aberta para qualquer pessoa sem limite de idade, residente no território nacional, que atenda o regulamento do evento.

Cada autor ou grupo poderá inscrever até 02 (duas) músicas, mediante o pagamento de taxa de inscrição no valor de r$20,00 (Vinte reais) para a Categoria Regional e r$25,00 (Vinte e cinco reais) para a Categoria Geral por música inscrita.


Os prêmios de classificação serão: 1º lugar, r$5.000,00 (Cinco mil reais) e troféu; 2º lugar, r$3.500,00 (Três mil e quinhentos reais) e troféu; 3º lugar, r$2.000,00 (Dois mil reais) e troféu; Música de aclamação popular: r$1.500,00 (Mil e Quinhentos reais) e troféu; Melhor intérprete: r$1.000,00 (Hum mil reais) e troféu; Melhor letra: r$500,00 (Quinhentos reais) e troféu.


Este ano, VII Festival de Inverno apresenta novidades: a Categoria Regional. Visando a valorização dos artistas locais, compositores inscritos com residência a pelo menos um ano nos municípios da Macro-Região do Vale do Acaraú (Alcântaras, Cariré, Coreaú, Forquilha, Frecheirinha, Graça, Groaíras, Hidrolândia, Irauçuba, Massapé, Meruoca, Moraújo, Mucambo, Pacujá, Pires Ferreira, Reriutaba, Santana do Acaraú, Senador Sá, Sobral, Varjota) e que optarem por esta categoria na ficha inscrição.

A Comissão Organizadora do Festival Competitivo fará a triagem e seleção de 10 músicas na Categoria Regional. As 10 músicas selecionadas serão tocadas na Rádio Tupinambá AM-1.120 kHz de Sobral entre os dias 23 de abril de 2010 e 22 de maio de 2010 e receberão votação do público para escolha das melhores no site da rádio Tupinambá (www.radiotupinamba.com), bem como também estarão disponibilizadas no site da Prefeitura Municipal de Meruoca (www.meruoca.ce.gov.br), onde também poderão ser votadas.

As duas composições mais votadas irão direto para a final do festival, além de serem premiadas com r$2.000,00 e r$1.000,00.

Segundo o coordenador geral do Festival Competitivo Pingo de Fortaleza, esta nova categoria dará um dinamismo maior ao Festival, além de contribuir para a difusão da cultura local.

Outra novidade está nas eliminatórias. A primeira e a segunda eliminatória contará com 10 músicas por noite, sendo que para a Final, serão classificadas oito, já que as duas mais votadas na Categoria Regional irão direto para a Final.

O Festival Competitivo é realizado pela Associação Cultural Solidariedade e Arte – SOLAR, sob a coordenação geral de Pingo de Fortaleza e a produção executiva de Arnóbio Santiago, com o patrocínio do BNB.


Maiores informações:
Associação Cultural Solidariedade e Arte – SOLAR
tel: (85)3226-1189
e-mail: associacaosolar@gmail.com



Como fazer a inscrição


O período de inscrição está marcado do dia 1º de março até o dia 22 de abril de 2010 (categoria REGIONAL) e 08 de maio (categoria GERAL), pessoalmente ou por correspondência.

Em Fortaleza: Associação Cultural Solidariedade e Arte – SOLAR, Avenida da Universidade, 2333, Benfica, CEP 60020-180, tel: (85)3226-1189, das 08h às 12h e das 14h às 17h.

Em Meruoca: Secretaria de Turismo, Esporte, Lazer e Juventude de Meruoca, na Avenida Carlos Davi - Complexo Múltiplo-Uso, Piso, Superior, Bairro Centro, CEP 62230-000. Das 08h às 14h.


Documentação necessária para inscrição:

- 10 (dez) cópias digitadas da letra da música em impressão legível com título, nome(s) do(s) autor(es) e com a letra na íntegra, além de no mínimo 01 (uma) cópia da respectiva letra acompanhada de sua cifra harmônica.

- 01 CD com a(s) música(s) gravada(s) na íntegra. Lembramos que a boa qualidade sonora do CD será fundamental para a eventual classificação da música.

- Ficha de inscrição com todos os campos preenchidos a máquina ou em letra de forma legível, assinatura do(s) autor(es), telefone para contato, e-mail e endereço completo (disponível aqui)

- Comprovante de endereço (APENAS PARA CATEGORIA REGIONAL)



As músicas deverão ser inéditas e originais.


Clique aqui para ler o Regulamento

Clique aqui para ter acesso à Ficha de Inscrição



VII FESTIVAL DE INVERNO DA SERRA DA MERUOCA (CE)
03, 04 e 05 de Junho de 2010
inscrições até o próximo dia 22 de abril (Categoria REGIONAL) e até o dia 08 de maio (Categoria GERAL)
info: (85) 3226-1189 (Assoc. Solar) e associacaosolar@gmail.com 

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